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Sexta, 16 Novembro 2018 23:47

Bianca Amaro é a nova presidente da Rede LA Referencia

A Rede Federada Latino-Americana de Repositórios Institucionais de Documentação Científica (LA Referencia) elegeu Bianca Amaro, do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) para um mandato de dois anos. A presidência anterior foi exercida pela chilena Patricia Muñoz, diretora de Informação Científica de CONICYT Chile.

Bianca Amaro é Coordenadora-Geral de Pesquisa e Manutenção de Produtos Consolidados do IBICT, onde lidera sistemas e projetos de Acesso Aberto à Informação Científica. Ela também faz parte do Conselho Diretor da COAR (Confederation of Open Access Repositories). Em 2015, recebeu o prêmio Electronic Publishing Trust for Development.

Criada em 2015, a Rede La Referencia reúne as publicações científicas da América Latina em um mesmo lugar. Com atuação em nove países, sua tecnologia já foi instalada no Brasil (IBICT), Colômbia (Renata, Colciencias, Ministerio de Educação), Costa Rica (CONARE), Chile (CONICYT), Equador (CEDIA, SENECYT), Peru (CONCYTEC), Argentina (MINCYT), El Salvador (CBUES, Viceministério de Ciência e Tecnologia) e México (CONACYT).

No Brasil, a rede é representada pelo IBICT, que desenvolveu o Oasisbr, portal que permite o acesso gratuito à produção científica brasileira de autores brasileiros vinculados às universidades e institutos de pesquisa.

Leia a seguir a entrevista com Bianca Amaro sobre o papel da Rede La Referencia e do IBICT na promoção do Acesso Aberto na América Latina. 

Comunicação Social - Que tipo de resultados a Rede LA Referencia já trouxe? 

Bianca Amaro - Acho que o maior espírito dela é o de colaboração. A ideia era criar uma grande rede da América Latina que coletasse a produção científica dos países membros. A rede conseguiu impulsionar a criação de repositórios informacionais em cada país, por meio de acordos de cooperação na América Latina para a promoção do acesso aberto. Ela tem um grande portal agregador da produção científica de todos os membros. E como ele funciona? Esse repositório faz a conexão com o nó de cada país, ou seja, com os repositórios que organizam a produção científica local. Além disso, a LA Referencia impulsionou a criação de  leis de acesso aberto na Argentina, no México e no Peru. Hoje, a rede se alinha com o desenvolvimento de um ecossistema de ciência aberta na América Latina. 

Comunicação Social - Como a LA Referencia pode aumentar a visibilidade da ciência latino-americana?

Bianca Amaro - Existe uma velha máxima na ciência que diz: se você não é visível, você não existe. Em muitos congressos da área de comunicação científica que vou, sempre aparece uma frase que me incomoda muito e por isso, talvez, eu lute com tanto afinco para promover o acesso aberto. A frase é assim: a parte Sul do planeta não produz ciência, só consome. Eu acho que está mais do que na hora de mostrar ao mundo que sim, a gente faz uma ciência de alta qualidade e devemos ser respeitados como tal. Com o LA Referencia, a gente atua em bloco. Dessa forma, ganhamos mais peso internacional e visibilidade. Hoje, a LA Referencia é tida como exemplo em vários espaços europeus, como a Confederation of Open Acess (COAR), a principal organização que trabalha com os repositórios de acesso aberto no mundo. Por quê? Porque a América Latina tem uma grande importância. Eles percebem que o nosso desenvolvimento tecnológico foi alto. Tanto que o coletador do LA Referencia tem sido utilizado como modelo para outras iniciativas lá fora, como Portugal, que buscou a tecnologia e hoje é um país observador da nossa rede.

Comunicação Social - Como o LA Referencia pode ser útil para o pesquisador brasileiro? 

Bianca Amaro - O pesquisador pode ter acesso a pesquisas da América Latina. Conhecendo um pouco mais da região, eu tive a oportunidade de ver como o LA Referencia e ações dessa natureza são importantes. Porque em geral, nós estamos muito presos à literatura do Norte do planeta, em especial, dos Estados Unidos e da Europa. A gente sempre olhou para cima, mas nunca para os lados. Ou seja, a gente pouco conhece da produção nacional e regional. Com a LA Referencia, existe a possibilidade da criação de cooperações muito mais fluidas, que são as cooperações regionais. Muitas vezes existem temas que são pesquisados na América Latina por mais de um grupo de pesquisa e que refletem determinadas realidades locais. Estabelecer essa troca de conhecimento pode ser muito importante para a nossa produção científica. Além disso, a LA Referencia é coletada pelo projeto OPEN COAR. Isso quer dizer que a nossa produção científica também está dentro da Europa.

Comunicação Social - Qual é a importância de portais/indexadores para a exposição e oferta de periódicos de acesso aberto?

Bianca Amaro - Eles promovem visibilidade e acesso a revistas científicas. Muitas têm pouca representatividade ou impacto limitado nos grandes indexadores internacionais. Não porque elas não têm qualidade, mas porque trazem pesquisas de impacto local. O acesso aberto trouxe à luz a existência dessas revistas que são tão importantes para iniciar, desenvolver ou finalizar uma pesquisa. No Brasil, outro público importante são as bibliotecas universitárias, que se tornaram grandes parceiros. A vantagem é que elas podem ser mais protagonistas no mundo científico porque aumentam sua visibilidade institucional e prestígio. Eu brinco que a gente estimula as pessoas a voltar a procurar a biblioteca, em vez de buscar a informação apenas no Google.

Comunicação Social - Qual foi o papel do Brasil e do IBICT na criação da LA Referencia? 

Bianca Amaro - O Brasil tem um modelo de implantação de acesso aberto que virou referência. E grande parte disso foi fruto da atuação do IBICT, que já trabalha desde os anos 2000 com a missão de impulsionar repositórios de produção científica. Na LA Referencia, o Brasil faz parte desde quando o projeto foi desenhado. Porque ela é fruto de um investimento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para a criação de um sistema de promoção de bens públicos internacionais. A rede nasceu como uma cooperação pública entre as autoridades de ciência e tecnologia. Além disso, o IBICT é o responsável pelo nódulo nacional, o maior repositório de acesso aberto da América Latina. O nosso desafio foi melhorar as ferramentas de coleta e envio de dados do Oasisbr, o que contou com o apoio da LA Referencia. Eu acho que estar na presidência da rede é muito importante para aumentar a visibilidade internacional do nosso país e do IBICT. Essa notícia é como se fosse uma coroação das ações do Instituto ao longo de quase duas décadas.

Carolina Cunha
Nùcleo de Comunicação Social do IBICT

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