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Quinta, 12 Setembro 2019 15:05

Preserva.ME 2019: entrevista com Miguel Arellano, da Rede Cariniana

Miguel Arellano é um dos palestrantes do Preserva.ME – Encontro Internacional de Preservação e Memória. No dia 26/09 (quinta-feira), apresentará o painel “A Rede Cariniana do IBICT: uma experiência de parcerias na preservação digital distribuída no Brasil”, no qual debaterá as características e riscos de repositórios digitais, assim como a preservação de registros de atividades técnico-científicas.

Antropólogo pelo Instituto Nacional de Antropologia e História (México), Miguel é mestre e doutor em Ciências da Informação pela Universidade de Brasília. Desde 1997 trabalha como tecnologista do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), onde coordena a Rede Brasileira de Preservação Digital Serviços Cariniana. Também é editor do repositório internacional E-LIS e membro do Standing Committee of Preservation and Conservation da IFLA (2017-2021).

Confira a entrevista realizada pelo site do evento:

– Em seu painel no Preserva.ME 2019, você abordará os riscos e as características de repositórios digitais para preservação dos registros institucionais. Qual a importância da preservação dessas informações?

Os registros institucionais foram integrados aos repositórios digitais, nos quais a possibilidade de ocorrência de risco existe.  A confiabilidade de acesso e arquivamento desses ambientes deve ser o resultado da avaliação e diagnóstico dos responsáveis por esses acervos.

Para garantir que essa informação esteja preservada e acessível às instituições, é preciso realizar um rigoroso controle de fatores de risco. Especialistas da Ciência da Informação apontam para a necessidade de defesa da informação digital contra ameaças e vulnerabilidades inerentes ao processo decisório. Daí a importância de um plano de contingenciamento que descreva as políticas e procedimentos desenvolvidos para prevenir, preparar, responder e recuperar os repositórios digitais de um possível desastre.

As instituições devem partir de um planejamento de gestão de coleções digitais em todo seu ciclo de vida, envolvendo a aquisição, verificação, registro, preservação e acesso, como procedimentos que não podem ser vistos isoladamente. Como um serviço especializado, os repositórios digitais organizam e guardam arquivos por longos períodos, sendo considerados realmente confiáveis quando tem em sua missão o acesso permanente de longo prazo.

– Quais são os principais obstáculos encontrados para a implementação de sistemas de preservação digital?

A preservação digital é uma questão ainda não totalmente resolvida pela maioria dos repositórios institucionais. A prática é complexa e, embora as instituições os estabelecessem para capturar e manter coleções digitais, os métodos e sistemas de preservação digital não foram mencionados de forma adequada, deixando a impressão de que o acesso às suas coleções pode levar a uma perda total de informações.

Observa-se uma ausência de políticas de garantia de acesso a longo prazo, sem nenhuma aplicação de estratégias ou resultados obtidos. O estabelecimento de diretrizes sólidas para a criação de planos e políticas  é o principal entrave para a implementação de sistemas ou programas de preservação digital no Brasil.

– Cada vez mais, discute-se o valor dos registros das atividades técnico-científicas. Como você enxerga essa questão?

Os repositórios institucionais enfrentam o desafio de abrigar, preservar e dar acesso aos registros das atividades técnico-científicas. Os repositórios de dados de pesquisa estão sendo implementados no mundo como uma nova opção para o acesso livre. Os benefícios ainda estão em experimentação, e os bibliotecários, pesquisadores, instituições de financiamento e de ensino começam a conhecer seus benefícios.

Entre esses benefícios está a visibilidade dos projetos e o fato de que os trabalhos de pesquisa adquiram uma nova possibilidade de gestão se articulados a sistemas de informação. A transparência nos investimentos nacionais para a Ciência também permite novas formas de governabilidade, relacionada com o registro de processos de gestão e disseminação.

Espera-se que os indicadores resultantes dessas atividades permitam uma gestão mais equânime, atendendo às dimensões do país, mas também às condições estratégicas em que a pesquisa torna-se fundamental à preservação de seus recursos naturais e à elaboração de politicas públicas.

 

PRESERVA.ME 2019

>> 25 e 26 de setembro

>> Museu de Arte do Rio – MAR

O Preserva.ME é um evento promovido pela Memória da Eletricidade com o objetivo de estimular a troca de informações e experiências entre profissionais de diferentes áreas, como história, arquivologia, biblioteconomia, museologia e ciência da informação. Em sua 5ª edição, que acontecerá nos dias 25 e 26 de setembro, no Museu de Arte do Rio, reunirá, sob o tema “Preservação de Acervos na Era Digital”, especialistas nacionais e internacionais para debater as oportunidades e desafios da preservação histórica em um mundo cada vez mais digital.

>> Veja a programação completa do evento <<

 

Fonte: Preserva.ME 2019

 

Última modificação em Quinta, 12 Setembro 2019 15:25
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